Muita gente me pergunta sobre a ayahuasca. Querem saber se cura, se assusta, se transforma. E eu sempre respondo: sim, ela faz tudo isso, mas não do jeito que a gente imagina. A ayahuasca não é uma pílula mágica; é um espelho. E, como todo espelho, ela reflete o que a gente coloca na frente. Agora, imagina ter um guia ao lado desse espelho, alguém que te ajuda a interpretar cada reflexo e a direcionar o olhar para o que realmente precisa ser visto. É isso que acontece quando a gente une a força da medicina à terapia direcionada.
O que é a Ayahuasca e como ela age?
A ayahuasca é uma medicina ancestral, originária dos povos indígenas da Amazônia. "É feita de duas plantas. O cipó, que é o jagube, e uma planta que é a chacrona." O jagube representa a estrutura, a firmeza, a conexão com a terra. A chacrona traz a luz, a expansão, a conexão com o espiritual. Quando essas duas plantas são fervidas juntas, nasce um chá sagrado que tem o poder de "expandir todos os nossos sentidos e nos ajudar a vermos aquilo que nós não estamos conseguindo perceber na consciência comum." Em termos práticos, a ayahuasca silencia o barulho da mente racional e amplifica a percepção do inconsciente. É como se ela ligasse um holofote dentro de você, iluminando cantos escuros que você nem sabia que existiam.
Por que a expansão sozinha pode não ser suficiente?
Expansão da consciência é um termo bonito, mas ele vem com uma responsabilidade. Quando a gente expande, a gente vê mais. E ver mais nem sempre é fácil. Muita gente, ao tomar ayahuasca, se depara com dores profundas, traumas antigos, padrões de comportamento que se repetem há gerações. E aí, o que fazer com tudo isso? Se a pessoa não tem um preparo ou um suporte adequado, ela pode sair da experiência mais confusa do que entrou. É como arrancar um espinho e não limpar a ferida. Por isso, cada vez mais, tenho visto a importância de unir a medicina a abordagens terapêuticas estruturadas.
A diferença entre a cerimônia em grupo e a sessão individual
Ambas têm seu valor e seu propósito. A cerimônia em grupo é poderosa porque trabalhamos a força do coletivo, a energia do círculo sagrado, o canto e a conexão com os irmãos de jornada. É um trabalho de comunidade, de pertencimento. Mas "é possível consagrar em grupo, mas também terapeuticamente, individual." Na sessão individual, a dinâmica muda. O espaço é todo seu. O canto, o rapé, a medicina, tudo é direcionado para a sua história, para a sua dor, para a sua cura. Não há dispersão. É um mergulho solo, mas profundamente amparado.
Como a hipnoterapia potencializa o trabalho com a ayahuasca
A hipnoterapia clínica, que é uma das minhas formações, é a arte de acessar o inconsciente de forma direta e terapêutica. E o que a ayahuasca faz? Exatamente isso: ela abre as portas do inconsciente. Quando a gente junta as duas, a gente não só abre a porta, como entra com um mapa na mão. Durante uma sessão, enquanto a medicina age, eu posso conduzir a pessoa por regressões, por ressignificação de memórias, por diálogos com partes dela que estavam silenciadas. É um trabalho cirúrgico. Em vez de a pessoa apenas sentir a dor, ela entende a origem da dor e, com auxílio, transforma aquilo em aprendizado.
PNL e constelações familiares: ferramentas de direcionamento
Além da hipnose, integro também a Programação Neurolinguística (PNL) e as constelações familiares. A PNL ajuda a gente a entender como construímos nossa realidade através da linguagem e dos padrões mentais. Durante o estado expandido, é possível reprogramar crenças limitantes com muito mais facilidade. Já as constelações familiares trazem à tona os emaranhados sistêmicos, aquelas lealdades invisíveis que carregamos para com nossos antepassados. Muitas vezes, uma dor que a pessoa acha que é dela, na verdade, é uma dor que vem de avós, bisavós. A medicina mostra isso, e a constelação ajuda a desatar esse nó.
Para quem é indicada a terapia com ayahuasca?
Essa abordagem é para quem já experimentou terapias convencionais e sente que esbarrou num teto. É para quem busca autoconhecimento mas não se contenta com superficialidade. É para quem tem questões profundas: traumas de infância, depressão resistente, ansiedade crônica, dificuldades em relacionamentos, ou simplesmente uma sensação de vazio existencial. Não é para curiosos. É para quem está disposto a enfrentar a própria sombra com coragem e com o devido suporte.
O cuidado com a abertura espiritual
Um ponto crucial, que sempre reforço, é o cuidado com o ambiente e com a abertura espiritual. Quando a gente expande a percepção, a gente fica mais sensível a tudo: às energias do lugar, às emoções das pessoas, e também ao plano espiritual. Por isso, eu jamais recomendo que se faça isso sozinho. O risco de passar por uma experiência difícil, sem ter quem ajude a segurar a barra, é muito grande. Na sessão individual, o espaço é preparado, firmado e protegido. A pessoa pode se entregar completamente, sabendo que tem alguém ali, só para ela, pronto para amparar seja o que for. É uma entrega segura, que honra a sacralidade da medicina.
O que esperar de uma sessão?
Cada sessão é única, porque cada pessoa é única. Mas, em geral, a pessoa chega, conversamos sobre sua intenção, sobre o que ela busca. Preparamos o ambiente, fazemos uma abertura, e então a medicina é consagrada. Durante o efeito, eu estou presente o tempo todo, observando, conduzindo se necessário, e intervindo com as técnicas de hipnose ou constelação conforme o que surge. Pode vir choro, pode vir riso, pode vir silêncio. Tudo é acolhido. Após o término do efeito mais intenso, ainda temos um tempo de integração, onde a gente conversa sobre o que aconteceu e como levar aquilo para a vida prática. A integração é tão importante quanto a própria experiência.
Cuidados e contraindicações
É claro que nem todo mundo pode consagrar ayahuasca. Pessoas com quadros de psicose, esquizofrenia ou transtornos bipolares não tratados devem evitar, pois a expansão pode desencadear crises. Também é fundamental estar com o coração e a mente preparados, num momento de vida em que se possa dedicar alguns dias para o repouso e a reflexão após o trabalho. Sempre faço uma triagem cuidadosa antes de aceitar alguém para uma sessão, justamente para garantir a segurança e a ética do processo.
O convite para a cura profunda
Se você chegou até aqui, talvez seja porque algo dentro de você já sabe que é hora de olhar para dentro com outros olhos. A ayahuasca, sozinha, é uma professora poderosa. Mas, quando aliada a ferramentas terapêuticas como a hipnose, a PNL e as constelações, ela se torna uma parceira de cura profunda e direcionada. Não é sobre fugir da dor, é sobre aprender com ela. Não é sobre buscar respostas prontas, é sobre construir, com auxílio, o caminho das suas próprias respostas. Esse é o trabalho que ofereço. Esse é o convite.
Conclusão
Unir a sabedoria ancestral da ayahuasca com o conhecimento técnico da hipnoterapia e das constelações não é uma mistura aleatória; é uma necessidade que a própria prática me mostrou. A gente não precisa mais escolher entre o xamã e o terapeuta. A gente pode ter os dois, atuando em conjunto, para que a cura seja completa. Se você sente que é hora de dar esse passo, de se olhar com profundidade e com direção, saiba que esse espaço existe. E você é bem-vindo.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre uma cerimônia em grupo e uma sessão individual de ayahuasca?
Na cerimônia em grupo, a força vem do coletivo, dos cantos e da energia compartilhada. Na sessão individual, todo o trabalho é direcionado exclusivamente para você. Eu utilizo hipnoterapia, PNL e constelações familiares para guiar a experiência rumo à sua questão específica, seja ela um trauma, um bloqueio ou uma busca de autoconhecimento.
Como a hipnoterapia pode potencializar os efeitos da ayahuasca?
A ayahuasca expande a consciência e abre as portas do inconsciente. A hipnoterapia, por sua vez, é a ferramenta que sabe navegar nesse território. Durante a sessão, enquanto a medicina age, posso conduzir regressões, ressignificar memórias e trabalhar crenças limitantes com muito mais profundidade e precisão.
A sessão individual é segura?
Sim, totalmente. O espaço é preparado e protegido espiritualmente, e eu estou presente do início ao fim para oferecer suporte. Antes da sessão, faço uma triagem para avaliar se a pessoa está apta, garantindo que tudo ocorra com responsabilidade e respeito à sacralidade da medicina.
Quanto tempo dura uma sessão de terapia com ayahuasca?
Geralmente, reservamos um período de 4 a 6 horas para a sessão, incluindo a preparação, a consagração, o período de efeito da medicina e o tempo de integração inicial. Recomendo que a pessoa não tenha compromissos importantes no restante do dia para descansar e assimilar a experiência.
Preciso ter experiência com ayahuasca para fazer a sessão individual?
Não, não é necessário. A sessão é desenhada para acolher tanto quem está tendo o primeiro contato com a medicina quanto quem já tem mais experiência. O importante é a sua intenção genuína de trabalhar a si mesmo e a disposição para se abrir ao processo.