Pular para o conteúdo
Emblema da Rama Universal Rama
Emblema da Rama Universal Rama
Agendar Sessão Particular Falar no WhatsApp

Ayahuasca em Grupo: Quando a Atenção vai para o Processo do Outro

Alguém chora do lado, outro passa mal, e quando você vê está vivendo a noite dos outros. Veja por que isso acontece numa cerimônia de ayahuasca em grupo e como voltar para o seu processo.

Por Andre Tauan

3 minutos de leitura

Mulher em cerimônia espiritual observa outras pessoas ao redor enquanto tenta manter a atenção na própria experiência.
Neste texto 6 partes
  1. Quando a atenção escapa para a roda
  2. Por que é tão fácil cuidar do processo do outro
  3. Cada um no seu barco
  4. Comparar a sua noite com a do vizinho
  5. Quem cuida de quem passa mal
  6. Três coisas que ajudam a voltar

Quando a atenção escapa para a roda

Você está sentado na roda, com uma intenção sincera, e de repente percebe que a atenção foi para o lado. Alguém começou a chorar. Outra pessoa se mexeu. Um terceiro parece desconfortável. E quando você vê, está acompanhando a noite dos outros em vez da sua.

Se isso já aconteceu com você, saiba que acontece com muita gente, principalmente nas primeiras cerimônias em grupo. Os pensamentos têm um formato conhecido: "o que será que ele está sentindo?", "por que ela está tão quieta?", "será que esse incômodo é por minha causa?".

Por que é tão fácil cuidar do processo do outro

Preocupar-se com o outro parece generosidade. Dentro do ritual, muitas vezes, é resistência. Olhar para a noite alheia é mais confortável do que olhar para o que dói, para o que é novo, para o que pede silêncio.

Basta um choro forte, um movimento brusco, um suspiro diferente, e a cabeça já cria uma história: "isso não está certo", "preciso ajudar", "e se isso estragar a minha noite?". Às vezes é intuição. Na maior parte das vezes que acompanhei, era a cabeça achando um assunto mais interessante do que o próprio silêncio.

Brigar com esse falatório interno costuma piorar. Funciona melhor concordar com ele, deixar passar e voltar para a sua intenção.

Cada um no seu barco

Gosto de uma imagem simples. Numa cerimônia, cada um está no seu barco, e os barcos navegam juntos. A sua intenção é o leme, e a medicina é o vento. Se você solta o leme para olhar o barco do vizinho, o vento te leva para qualquer lado, menos para onde você queria ir.

Cuidar do seu leme não é egoísmo. Quando cada um está inteiro na própria experiência, a roda toda fica mais firme, como numa música em que cada pessoa cuida do seu instrumento e o conjunto soa afinado.

Comparar a sua noite com a do vizinho

Outra armadilha é a comparação. O vizinho está vendo coisas, chorando, sorrindo, e você não. Aí vem a sensação de que a sua experiência é menor, mais fraca, menos bonita.

Não existe régua para isso. Cada pessoa abre no seu ritmo, do seu jeito, com as suas imagens ou sem imagem nenhuma. Se a comparação te deixou com a impressão de que nada aconteceu, talvez ajude ler Tomei ayahuasca e não senti nada.

Quem cuida de quem passa mal

Isso não quer dizer ignorar o outro. Existe o impulso de ajudar que é verdadeiro. Mas, dentro da cerimônia, na maior parte das vezes a melhor ajuda é não atrapalhar. A casa tem gente preparada para isso: o Ministério do Auxílio acompanha cada pessoa a noite inteira, e ninguém atravessa a noite sozinho.

Quem sai do próprio processo para cuidar do outro, sem preparo, pode ficar exposto a coisas que não sabe manejar. Se você sentir que alguém precisa de ajuda, chame quem está cuidando. É o jeito mais seguro de ajudar.

E se o que te pegou foi a emoção de alguém do lado, pode ser que ela tenha tocado em algo seu. Escrevi sobre isso em Ayahuasca e traumas.

Três coisas que ajudam a voltar

  1. Chegue com uma intenção clara. Quanto mais específica, mais fácil voltar a ela quando a atenção escapar.
  2. Observe sem reagir. Medo, lembrança, incômodo: deixe passar como quem olha uma nuvem, e respire.
  3. Leve com leveza. Quando se pegar distraído de novo, não precisa se punir. Pode até rir de si mesmo e voltar para o seu barco.

Uma frase ajuda, e você pode repetir por dentro quando precisar: "a minha atenção é minha, o meu processo é meu". Se os olhos quiserem abrir, feche outra vez. Se o incômodo com o outro voltar, lembre que tem gente cuidando dele.

Você está cercado de gente, e a sua noite é só sua. Se quiser viver isso numa cerimônia, veja como são as cerimônias e as próximas datas.

Conhece alguém que vai gostar deste texto?

Continue lendo

Ver todos os textos

Participe de uma cerimônia

Cerimônias mensais em grupo ou atendimento individual em Sorocaba e Araçoiaba da Serra/SP.